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Oficina de Comunicação Comunitária em Cuibá (MT)

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A segunda Oficina de Comunicação Comunitária foi realizada no período de10 a12 de julho de 2009, na cidade de Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso, nas dependências do Hotel Sansaed. Participaram 10 pessoas (5 homens e 5 mulheres), sendo 02 de Cuiabá, 01 de Feliz Natal, 01 Nova Mutun, 01 Porto Alegre do Norte, 01 Nova Ubiratã, 01 de Cláudia, 02 Cáceres e 01 de Lucas do rio Verde, municípios mato-grossense  (conforme lista de presença anexa). A assessoria e instrutoria ficaram sob a responsabilidade do jornalista e comunicador Pedro César Batista, especialista em comunicação para Movimentos Sociais. 

A história do povo matogressense é curiosa. Os bandeirantes em busca de ouro e em caça de mão de obra escrava indígena ocuparam as terras queram ricas em ouro. Dizem que a água da chuva mostrava o ouro na superficie do solo, Muito ouro foi achado nestas terras que, somente, aboliu a escravidão somente no início do século XX. As autoridade divulgaram que ainda não haviam recebido a informação da publicação da Lei Auréa, assinada em 13 de dezembro de 1888.

A baixo as informações sobre o desenvolvimento da oficina e as bandeiras de comunicação apontadas pelos participantes.

A oficina foi iniciada às 08h30 do dia 10 de julho, com a abertura sendo procedida pelo facilitador, Pedro César Batista, que fez uma breve explanação sobre o Projeto de Desenvolvimento Institucional para a Consolidação e Disseminação de Tecnologias Sociais, falando das atividades já realizadas e a importância do financiamento pela Fundação Banco do Brasil para a execução da atividade. Falou dos objetivos da oficina e sobre os resultados esperados. Agradeceu a presença de todos e todas as participantes, incentivou que valorizem os conhecimentos que serão repassados e desejou um bom aproveitamento nos trabalhos que se iniciavam.

Em seguida o facilitador pediu que fosse feita uma apresentação individual dos participantes, momento em que se observou a presença de representantes de todas as regiões do estado do Mato Grosso. O facilitador solicitou que durante a apresentação fosse destacada qual a expectativa que tinham ao participarem da oficina. Ficou evidente que o interesse em aprender as ferramentas para fortalecer a comunicação de suas entidades e da rede GTA era o motivo unânime dos e das participantes.

Em seguida a palavra foi retomada pelo facilitador que apresentou a metodologia ser usada, os instrumentos que seriam aplicados e a programação em seus detalhes. Abriu para que as pessoas pudessem fazer as perguntas e sugestões que fossem necessárias. Acertou-se especialmente a questão da disciplina dos horários a serem cumpridos. Depois, o facilitador, fez uma introdução sobre a importância da comunicação nas lutas pela conquista dos direitos humanos e para a definição de políticas públicas que atendessem os interesses das comunidades amazônicas. Iniciou-se depois a apresentação do vídeo – palestra sobre Direito Humano à Comunicação, quando vários especialistas falaram das lutas em defesa da democratização dos meios de comunicação e da importância da comunicação nessa ação. Após o vídeo o facilitador ainda fez uma exposição apresentando a legislação sobre o tema, fundamentando-se na Constituição Brasileira, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Agenda Global 21. Repassou vários dados sobre a comunicação no país, especialmente os aspectos legais que regulam o tema.

Em seguida as pessoas participantes da Oficina foram divididas em dois grupos de trabalho, os quais teriam que debater e responder a seguinte pergunta: Como se desenvolveu a Comunicação na luta pelos direitos humanos e socioambientais na região Amazônica?.Com esse debate se fez um diagnóstico da história da comunicação no estado e municípios. Destaca-se a história dos meios de comunicação alternativos a serviço dos movimentos sociais e populares.

O grupo 1, formado por Aline, Sidney, Maria de Fátima, Jane e Roselma, ressaltou a importância das rádios no processo de comunicação,  as dificuldades vividas na implantação de rádios comunitárias e a importância da ação de D. Pedro Casaldaliga na propagação dos interesses do povo da região. O grupo 2, composto por Vilmon, André, Douglas, Deroní e Linconnl, destacaram a vinculação da comunicação convencional aos interesses de políticos e não esclarecendo e educando a população como deveriam. Na história do estado a Igreja católica sempre teve papel importante incentivando uma comunicação mais alternativa e voltada aos interesses da maioria da população.

Após a apresentação dos relatórios dos grupos foi realizado um debate coletivo, verificando-se a necessidade de se aprofundar e ampliar as rádios comunitárias e outros veículos de comunicação comunitária, especialmente diante das dificuldades impostas pela legislação para a implantação da radiofonia comunitária.

Foi feito em seguida um intervalo de uma hora para o almoço.

As 14h os trabalhos foram retomados com o facilitador fazendo uma exposição sobre a comunicação em redes socioambientais, destacando a apresentação sobre vários conceitos sobre o que é uma rede e a importância da comunicação dessa rede. Passando imediatamente para a apresentação da vídeo-palestra Comunicaçãoem Redes Socioambientais.

Após ver o vídeo os grupos novamente se dividiram para debater a seguinte pergunta: Como tem sido usada a Comunicação no fortalecimento da identidade e na defesa dos interesses das comunidades da região amazônica?

A apresentação do relatório dos grupos ocorreu após o intervalo para o café. O grupo 1 destacou a existência de dois modelos de desenvolvimento no estado, os quais se contrapõem cotidianamente nos meios de comunicação. O modelo do agronegócio propaga a monocultura, a ampliação das fronteiras agrícolas e um desenvolvimento empáctante e excludente. Enquanto os movimentos sociais, com seus escassos instrumentos de comunicação, difunde a agroecologia e a sustentabilidade. Os primeiros usam a grande mídia e os segundos se sustentam principalmente nas rádios comunitárias. Foi relatada uma pichação feita em Lucas do Rio Verde com o seguinte texto: “mate um maranhense, mantenha a cidade limpa”. Isso comprova a contradição existente e que se reflete na mídia e nas propagandas existentes. O grupo 2 ressaltou, mais uma vez que representa todas as regiões do estado, em sua pluralidade e diversidade. Relacionaram os materiais usados para o desenvolvimento de uma comunicação comunitária: convites impressos, visitas domiciliares, rádios comunitárias, folders, sites, blogs e entrevistas em rádios comerciais do interior. Identificou-se que falta conteúdo nas programações das rádios comunitárias do interior. No estado o GTA e o FORMA usam muito o meio eletrônico para mobilizar.

Após a apresentação dos relatórios dos grupos foi realizado um debate coletivo. Percebeu-se que é preciso fortalecer a divulgação e a comunicação institucional do GTA, ação que deve ser executada pelas entidades que compõem a rede. Foi realziada uma avaliação do dia, destacando-se nas falas dos participantes os seguintes pontos: importância da realização das oficinas nas regionais, intercâmbio entre as lideranças do estado, fortalecer o sentimento de pertencimento do GTA, capacitar na área de inclusão digital e comunicação e debater a comunicação da rede.

 Logo em seguida iniciou a apresentação do filme: Uma onda no ar, de Helvéio Ratton, filme sobre rádio comunitária. Mostra as dificuldades para a sua implantação e sobrevivência, porém com a participação da comunidade e persistência comprova que é possível ir em frente.

No segundo dia as atividades iniciaram as 8h30 com o facilitador dando novamente às boas vindas e fazendo uma explanação sobre o que são os veículos e as formas de comunicação existentes. Foi assistido o filme A revolução não será televisionada, de Kim Bartley, fazendo um contraponto com a comunicação comunitária e mostrando a força da mídia na manipulação das informações de uma sociedade. Em seguida os grupos se reuniram para debater a seguinte pergunta: Como colocar os veículos de comunicação a serviço dos interesses comunitários? Os relatórios dos grupos apontaram a necessidade de constituir o Plano Operativo de Comunicação Alternativa para o GTA, baseado nos seguintes pontos:

1 – Produzir materiais de divulgação institucional para esclarecer a base sobre o que é e a importância do GTA;

2 – Sensibilizar as comunidades para o uso da comunicação alternativa;

3 – Identificar e potencializar os meios de comunicação já existentes e criar novos meios de comunicação para a comunidade:

4 – Realizar oficinas de capacitação em comunicação comunitária nas entidades de base;

5 – Criar condições estruturais e financeiras para a execução de um plano de comunicação;

6 – Construir o Plano de Comunicação durante as oficinas de Inclusão Digital e Comunicação Comunitária.

Em seguida realizou-se mais um debate em grupo, depois foi feito o intervalo para o almoço.

As 14h os trabalhos foram retomados, com o facilitador orientando a criação coletiva do Blog www.GTAComunicaçãoMT.blogspot.com, o qual servirá para unificar e divulgar os trabalhos das duas regionais no estado e das entidades que integram a rede. Logo depois o facilitador falou sobre a construção de um programa de rádio, apresentando uma pauta a ser trabalhada pelos dois grupos para a produção de um programa na Rádio Comunitária FM CPA – 104,9, com a duração, cada, de 1h30, totalizando 3 horas, a ser apresentado no dia seguinte.

Os grupos novamente foram formados para debateram a elaboração do programa para a rádio, conforme a pauta apresentada. Depois dos debates foi realizado o intervalo para o café e em seguida os grupos voltaram para a plenária geral. Com a condução do facilitador foi feita a definição sobre quem se apresentaria primeiro e em seguida na programação da rádio. O grupo 2 iniciaria a apresentação e o grupo 1 encerrará o programa da Rádio Comunitária FM CPA – 104,9.

Antes de encerrar as atividades foi feita a avaliação do dia, destacando-se: a importância da oficina para animar a militância do GTA, os vídeos-palestra, o debate após os filmes que mostraram claramente a contradição entre a comunicação comunitária e a grande mídia, a construção do plano de comunicação, os debates e a vontade de aprender mais. Marcou-se para sair do hotel às 7h em direção a Rádio Comunitária FM CPA – 104,9, pois o programa oficina ao vivo entrará no ar às 8h.

No dia seguinte, na hora definida, todos e todas se dirigiram à radio onde o programa foi apresentado (CDs com a apresentação em anexo), tendo sido considerado um grande sucesso.  Após o almoço as atividades foram retomadas com o facilitador realizando a apresentação sobre Como usar a comunicação, quando foram apresentados técnicas para a construção da comunicação comunitária. Em seguida foi apresentado o último vídeo sobre o mesmo tema, com todas as pessoas participantes debatendo no final. As 16h, depois de um intervalo para o café, os trabalhos foram retomados para a avaliação final, quando foram destacados os seguintes pontos: Animação da militância para o trabalho de comunicação, o curso que foi muito bom e deve ser repetida, importância da construção coletiva do Plano de Comunicação, da troca de experiências, da apresentação na rádio comunitária, possibilitar mais conhecimentos, a metodologia aplicada, os recursos utilizados e o fortalecimento da rede.

Depois de realizada a entrega dos certificados as atividades encerradas às 17h30.

 

 

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